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Mais comentários sobre a política de combate às drogas

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Ontem, postei um corrido texto a respeito da tramitação na Câmara de um projeto de lei que redefine a política nacional de combate às drogas. Tão corrida quanto, foi a votação, que atropelou a esquerda da casa.

Hoje, quero atualizar alguns pontos. Em primeiro lugar, a Folha publicou um artigo de André Mendes, professor de direito da FGV, criticando o aumento na pena mínima para tráfico de drogas – de 5 para 8 anos. Ele questionou a eficiência da medida com base no resultado do aumento de pena – de 3 para 5 anos – ocorrido em 2006. O Estadão apenas noticiou o caso.

No post anterior, fiz um paralelo entre o novo projeto de lei e à política que tem sido aplicada no estado de São Paulo. No entanto, o governador acaba de transferir a pasta responsável por sua política anti drogas a um representante da Igreja Universal do Reino de Deus. Não é preciso comentar que, ontem, durante a votação na Câmara, a bancada evangélica se exaltou em defesa do texto do Projeto de Lei 7663/10.

Não é preciso ser muito perspicaz para entender o duplo interesse dos partidos evangélicos em relação a esse tipo de política. Em primeiro lugar, representa a agenda moral conservadora que eles pretendem impor à sociedade através do Estado. Em segundo lugar, é de amplo conhecimento que, se tratarmos as igrejas evangélicas como um único bloco, veremos que elas dominam a esmagadora maioria de clínicas de tratamento de dependentes químicos.

Teríamos, então, o duplo empoderamento desse grupo, tornando sua forma de encarar as drogas uma política de Estado e injetando dinheiro público em instituições que a ele pertencem.

Antes que haja mal-entendidos, quero ressaltar que defendo o direito dos evangélicos de viverem segundo sua visão de mundo. O que não aceito é que essa visão atropele a dos outros brasileiros que não a compartilham.

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