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Por um mundo com peitos de fora

by em junho 11, 2013

Nem um livro é moralista por essência. Nem um escrito, nem uma fala devem ser apagados. Todos eles devem ser transformados em bomba, acesos e jogados contra aqueles que o proclamam.

Se lhe atirarem um Nelson Rodrigues, adicione as proporções certas de enxofre, carvão moído e salitre – compre como adubo para coqueiros – e meta-o num saco com pregos, acenda o pavio e jogue bem no meio do reduto moralista.

Os livros escritos para ser bombásticos, de nada servem, por si só. Geralmente, aqueles sobre os quais se faz alarde, aqueles que muita coisa prometem nas orelhas, resenha e introdução, ao se queimar o pavio, não produzem mais que parcas faíscas broxantes. Os anúncios nas revistas, os expositores de livraria, são, muitas vezes, rojões que alardeiam uma carga incapaz de explodir.

O terrorista poético, o terrorista da velha e da nova moral, é capaz de combinar as mais diversas substâncias e transformá-las numa carga devastadora. Sejamos químicos de fundo de quintal, alquimistas de receitas de bombas da internet.

Se chegar a tropa de choque, com escudos enunciando “certo” e cassetetes indicando “errado”, ria deles. Faça um coro, que caminhe de braços dados em direção ao batalhão, alfinetando-os em suas proposições e ridicularizando suas bases morais.

A cavalaria do politicamente incorreto é a mais fácil de ser desmantelada. Leve saquinhos com bolas de gude e espalhe pela rua, quando estiverem chegando. Quando disserem que não tem travas na língua, dê a eles o próprio veneno. Diga apenas “Sua mãe transou com o seu pai”. Eles voltarão para casa chorando.

Não poupe a violência. Saia em grupo agredindo todos os que tiverem muita certeza. Reúna sua gangue de putas, travestis, drogados, bichas e sapatões. Saia por aí, amando e dando esmolas. Mas esteja pronto para correr da tropa de formadores de opinião.

Seja um ativista de sofá. Transforme sua casa num aparelho e comece a produzir impressos virulentos. Envie cartas com antraz, desenhe charges doentias.

Não se esqueça. O verdadeiro revolucionário tem, antes, de se preparar. Ame, goze, delire, questione. Explore tudo o que te dá tesão. Toque-se, especialmente nas partes onde isso lhe causar vergonha. 

Converse com pessoas de quem você não gosta.

E, o mais importante, queime este texto depois de ler. Esqueça-o. E guarde a sensação, se quiser.

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